Mianmar: ONU alerta para agravamento da crise e pede cessar-fogo imediato

Quase três meses após um devastador terremoto atingir Mianmar, o país segue mergulhado numa guerra civil brutal desencadeada após o golpe militar de 2021. Num discurso à Assembleia Geral da ONU, a enviada especial para Mianmar, Julie Bishop, destacou que a violência persiste sem trégua, apesar das milhares de mortes e feridos, e advertiu que o país caminha rumo à autodestruição sem um cessar-fogo efetivo.

Durante visitas a áreas destruídas, Bishop ouviu de sobreviventes o desejo urgente de paz. Ela afirmou que, embora alguns grupos tenham declarado cessar-fogo, essas medidas não estão a ser respeitadas.

Bishop também alertou para a possibilidade de eleições sem legitimidade, caso o processo não seja verdadeiramente inclusivo e transparente. Com líderes políticos ainda presos, como Aung San Suu Kyi e Win Myint, ela considera inviável qualquer tentativa eleitoral promovida pela junta militar como solução para a crise.

A situação da minoria rohingya também preocupa a ONU. Enfrentam neste momento pobreza extrema, recrutamento forçado e abusos no estado de Rakhine, além de cortes em alimentação e educação nos campos de refugiados em Bangladesh.

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