Apesar de décadas de esforços internacionais, minas terrestres e resíduos explosivos de guerra continuam a provocar vítimas e a devastar comunidades. Só em 2024, 6.279 pessoas foram mortas ou feridas, 90% civis e quase metade crianças, de acordo com o Monitor de Minas Terrestres 2025. Estas armas impedem ainda o acesso a terras agrícolas, escolas e hospitais, deixando cicatrizes duradouras em regiões afetadas.
Do Sudeste Europeu ao Sudeste Asiático, os resíduos de guerra continuam a representar uma ameaça diária. Minas da década de 1990 ainda estão a ser removidas nos Bálcãs, enquanto no Camboja e no Laos as contaminações remontam a décadas anteriores. Experiências históricas, como a Guerra do Golfo em 1991, demonstram que estas armas têm eficácia militar limitada, mas deixam um legado mortal que afeta gerações civis.
“Não existe mina antipessoal ‘segura’. Estas armas causam danos indiscriminados e permanecem perigosas por gerações”, alerta Fahad Ahmed, assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). A Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal (APMBC) tem sido crucial para reduzir vítimas e destruir mais de 55 milhões de minas estocadas, contando atualmente com 161 Estados signatários.
Apesar dos progressos, o CICV alerta que qualquer retrocesso pode colocar futuras gerações em risco. Os Estados signatários devem cumprir integralmente as suas obrigações e os países que ainda não aderiram ao tratado são instados a fazê-lo.