Dezoito países da União Europeia, incluindo Portugal, estão a pressionar Bruxelas para flexibilizar o Regulamento da Desflorestação (EUDR), em vigor desde 2023 e que impõe controlos rigorosos à importação de madeira, cacau, café, soja, entre outros produtos. A proposta prevê a criação de uma categoria “sem risco”, que dispensaria a geolocalização obrigatória e reduziria a fiscalização para países considerados seguros.
A ONG Earthsight alerta que essa mudança poderá facilitar a entrada de madeira russa e bielorrussa, atualmente sancionada, através de países terceiros como China, Geórgia ou Turquia.
O grupo denuncia que empresas destes países “reembalam” madeira russa, alteram rótulos e enviam-na para a UE como se fosse de outra origem.
Desde a entrada em vigor das sanções, a Earthsight calcula que mais de 1,5 mil milhões de euros em madeira russa e bielorrussa terão chegado ilegalmente ao bloco, incluindo 273 milhões apenas entre novembro de 2024 e abril de 2025.
Vários ambientalistas defendem que a Comissão Europeia rejeite a criação da categoria “sem risco” e mantenha os mecanismos atuais, sob pena de a lei perder eficácia e de a Europa voltar a ser um destino para madeira obtida de forma ilegal.