A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a economia da zona euro está a atravessar uma transformação estrutural, impulsionada sobretudo pelo aumento do investimento em inteligência artificial (IA). Após a última reunião do ano do Conselho do BCE, que decidiu manter inalteradas as taxas de juro, Lagarde sublinhou que a política monetária se encontra “numa boa posição”, mas sem qualquer compromisso com uma trajetória pré-definida.
A líder do BCE reforçou que as decisões sobre taxas continuarão a ser tomadas “reunião a reunião”, num contexto de elevada incerteza. O banco central mantém sob vigilância a evolução dos salários, a inflação dos serviços e o comércio internacional, fatores considerados determinantes para o comportamento futuro dos preços.
As novas projeções do BCE apontam para um crescimento de 1,4% em 2025, seguido de 1,2% em 2026, com a procura interna a assumir um papel mais relevante. A inflação deverá manter-se próxima de 2% no médio prazo, embora a descida seja mais lenta no setor dos serviços.
Lagarde destacou ainda o papel crescente da IA como motor do investimento, tanto em grandes empresas como em PME, com foco em software, dados, capacidade computacional e redes digitais. Apesar do potencial de ganhos de produtividade, alertou que ainda é cedo para avaliar o impacto da IA na taxa de juro neutra.
Sobre o euro digital, afirmou que o trabalho técnico do BCE está concluído, cabendo agora a decisão às instituições políticas europeias. Já quanto à eventual utilização de ativos russos congelados para apoiar a Ucrânia, Lagarde frisou que essa é uma decisão política, lembrando que o financiamento monetário é proibido pelos tratados da União Europeia.