A União Europeia está a ficar para trás na corrida global à inteligência artificial, apesar de liderar na regulação. Enquanto os Estados Unidos já desenvolveram cerca de 40 modelos de fundação de IA e a China 15, toda a Europa criou apenas três, revelando um atraso significativo em inovação e escala.
Especialistas apontam a excessiva fragmentação regulatória, o baixo investimento e a fuga de talentos como principais entraves. Embora a UE forme muitos especialistas em IA — mais até do que os EUA, proporcionalmente — grande parte acaba por emigrar devido a melhores salários, financiamento e condições de crescimento no estrangeiro.
O investimento é um dos maiores desequilíbrios: os EUA aplicam até dez vezes mais capital em IA do que a UE, tanto em startups como em infraestruturas. Esta diferença reflete-se na menor capacidade europeia de computação, centros de dados e desenvolvimento de modelos avançados.
Bruxelas reconhece o atraso e tenta reagir. A Comissão Europeia lançou iniciativas como o InvestAI, com o objetivo de mobilizar até 200 mil milhões de euros, incluindo gigafábricas de IA e reforço dos centros de dados. Ursula von der Leyen garante que a “corrida ainda não terminou” e promete colocar a IA no centro da estratégia europeia.
Ainda assim, críticos alertam que a Lei da IA, apesar de ambiciosa, pode travar a inovação se não for aplicada de forma mais simples e coerente. Sem um verdadeiro mercado único, mais capital de risco e maior capacidade tecnológica própria, a janela para a Europa recuperar terreno face aos EUA e à China está a encolher rapidamente.