A União Europeia está a avançar numa estratégia para reduzir a dependência de software proprietário norte-americano, promovendo soluções de código aberto. O objetivo é reforçar a soberania digital, melhorar a cibersegurança e proteger dados de cidadãos e instituições.
A Comissão Europeia lançou uma consulta pública para expandir esta transição a todo o bloco, meses depois de países como França e Alemanha começarem a substituir ferramentas proprietárias nas administrações públicas. O uso generalizado de software estrangeiro limita opções, competitividade e segurança na infraestrutura digital.
O código aberto já representa entre 70% e 90% das linhas de código em aplicações modernas, com comunidades ativas alinhadas com princípios digitais europeus. A migração, porém, enfrenta desafios como compatibilidade e adaptação de funcionários. Exemplos incluem a troca do Microsoft Office pelo LibreOffice na Alemanha e soluções integradas na França para edição de documentos e videoconferência.
A consulta pública recebeu contributos de mais de 1.100 cidadãos e centenas de empresas, universidades e organizações. Com base nisso, a UE planeia uma nova estratégia para eliminar barreiras, acelerar a adoção do código aberto e reforçar inovação, competitividade e resiliência digital. A estratégia será apresentada em 2026 ao Parlamento Europeu e ao Conselho.
Analistas apontam que este processo pode marcar o início do “ano do Linux” na Europa, impulsionado pelo desejo de soberania digital e controlo sobre dados.