A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou esta terça-feira para o aumento da incerteza económica global, num contexto marcado por novos choques energéticos e tensões geopolíticas. A responsável destacou que o atual cenário difere significativamente do início do ano, quando a zona euro registava crescimento sólido e inflação controlada.
Segundo Lagarde, a evolução da economia europeia está agora condicionada por fatores imprevisíveis, incluindo o impacto de conflitos internacionais nos mercados energéticos. A líder do BCE sublinhou que a política monetária não consegue reduzir diretamente os preços da energia, mas deve atuar caso esses aumentos se traduzam numa inflação mais generalizada, através de efeitos indiretos ou pressões salariais.
A estratégia do banco central assenta em três princípios fundamentais: avaliar a dimensão e duração do choque, focar-se nos riscos e não apenas no cenário base, e adotar respostas graduais conforme a gravidade da situação. Lagarde explicou que choques temporários podem ser absorvidos sem intervenção, mas situações mais prolongadas ou intensas poderão exigir medidas mais firmes para conter a inflação.
Apesar dos riscos, a presidente do BCE considera que a zona euro parte de uma posição mais favorável do que em crises anteriores, com inflação próxima da meta de 2% e uma política monetária equilibrada. Ainda assim, garantiu que o banco central acompanhará de perto a evolução económica e está preparado para agir, reiterando o compromisso de manter a estabilidade dos preços no médio prazo.