A Europa atravessa um verão de temperaturas sufocantes, com várias regiões da França, Croácia e Hungria a ultrapassarem os 40°C. O calor extremo não só dispara a procura por ar-condicionado, como compromete a produção de energia, sobretudo em centrais térmicas que dependem da água dos rios para arrefecimento.
De acordo com especialistas, as ondas de calor revelam a fragilidade das redes elétricas europeias, que precisam de maior flexibilidade e de um reforço das renováveis para evitar falhas de abastecimento.
A União Europeia deverá ver o número de aparelhos de ar-condicionado saltar de menos de 7 milhões em 1990 para mais de 100 milhões em 2030, com a Itália à frente do consumo.
As consequências já se fazem sentir.
Em França, 17 das 18 centrais nucleares sofreram cortes de produção entre junho e julho devido à falta de água fria para arrefecimento dos reatores. Em Itália, cidades como Roma, Florença e Milão registaram apagões, provocados pela sobrecarga e pelo sobreaquecimento de cabos subterrâneos.
Ainda assim, a energia solar tem atenuado parte da pressão, com junho a marcar um recorde de geração na União Europeia.
Em contrapartida, a produção eólica caiu em países como Finlândia e Reino Unido, aumentando a dependência do gás natural.
Para o think tank Ember, liderado por Pawel Czyak, estas ondas de calor são um aviso claro: sem investimentos urgentes em redes modernas e fontes limpas, os apagões poderão tornar-se cada vez mais frequentes no verão europeu.