A França enfrenta uma viragem demográfica histórica: em 2025, registou mais mortes do que nascimentos pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo o INSEE, nasceram 645 mil bebés, bem abaixo dos mais de 850 mil registados em 2010, enquanto as mortes atingiram 651 mil. A taxa de fecundidade fixou-se em 1,55 filhos por mulher.
Perante este cenário, uma missão parlamentar propôs um “big bang” na política familiar, com 37 medidas para incentivar a natalidade. A mais emblemática é um abono universal de 250 euros por criança até aos 20 anos, independentemente do rendimento, com um custo estimado de 10 mil milhões de euros anuais. Está também em cima da mesa um crédito à habitação a juro zero por cada nascimento, reforço das creches e uma nova licença parental mais bem remunerada.
Apesar do apoio de associações familiares, as propostas geram controvérsia. Economistas alertam que medidas universais podem beneficiar mais as famílias de maior rendimento e ter impacto limitado na decisão de ter o primeiro filho. Muitos cidadãos defendem que fatores como inflação, salários, habitação e estabilidade económica pesam mais na decisão do que subsídios diretos.
A queda da natalidade preocupa pelas implicações nas pensões, finanças públicas e mercado de trabalho. Especialistas sublinham, contudo, que além de incentivar nascimentos, políticas de imigração, produtividade e prolongamento da vida ativa também podem mitigar os efeitos do envelhecimento populacional.