A França atravessa uma crise política sem precedentes desde a fundação da Quinta República em 1958. O governo do primeiro-ministro François Bayrou, nomeado por Emmanuel Macron em dezembro de 2024, foi destituído após perder uma moção de confiança na Assembleia Nacional, com 364 votos contra e apenas 194 a favor. Bayrou, centrado e aliado de Macron, tentou implementar um plano de austeridade de 44 mil milhões de euros para reduzir a dívida pública, mas enfrentou forte oposição, incluindo de seu próprio partido, o MoDem.
Esta é a terceira vez em menos de um ano que um governo francês cai após uma moção de confiança, após as quedas dos primeiros-ministros Michel Barnier e Gabriel Attal. A instabilidade política decorre de um parlamento fragmentado, resultado das eleições legislativas antecipadas de 2024, convocadas por Macron após o sucesso da extrema-direita nas eleições europeias. O parlamento atual é dividido entre a esquerda radical, o centro e a extrema-direita, sem uma maioria clara.
A situação gerou protestos em várias cidades, com cerca de 11.000 pessoas celebrando a queda de Bayrou e preparando manifestações sob o lema “Bloquear Tudo”, que incluem bloqueios de estradas e depósitos de combustível. Em resposta, o governo mobilizou 80.000 policiais para conter os distúrbios. Além disso, há pressão crescente sobre Macron para convocar novas eleições legislativas ou até mesmo para renunciar, embora ele tenha rejeitado essas sugestões.
Macron enfrenta agora a difícil tarefa de nomear um novo primeiro-ministro que consiga formar um governo estável e obter a aprovação do orçamento de 2026 antes do final do ano. Entre os possíveis candidatos estão o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, e o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, ambos centristas. No entanto, há também propostas para nomear uma figura não partidária para liderar um governo de consenso.