França antecipou-se ao anúncio da Comissão Europeia e abriu o debate sobre a futura política climática da União. Esta quarta-feira, 2 de julho, Bruxelas deverá propor uma redução de 90% nas emissões de gases com efeito de estufa até 2040, com vista à neutralidade carbónica em 2050.
O presidente francês, Emmanuel Macron, apoiou o princípio da meta, mas lançou avisos: “Se queremos estes objetivos, precisamos dos meios para os alcançar, garantindo neutralidade tecnológica, flexibilidade e investimento.” Macron rejeita uma negociação apressada e defende um debate político “democrático, entre os 27”, em vez de um processo técnico acelerado.
A vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, admite que será necessário acomodar diferentes realidades nacionais.
Por outro lado, as organizações ambientais, alertam para os riscos de soluções que consideram “falhas técnicas”. O WWF Europa teme que a UE inclua créditos de carbono comprados a países terceiros ou conte com tecnologias ainda não testadas em larga escala, desviando o foco do investimento interno.
No Conselho Europeu, o debate promete dividir os Estados-Membros. Alemanha, Dinamarca e Espanha deverão apoiar a proposta de Bruxelas, enquanto França, Polónia e Hungria sinalizam reservas, pedindo mais tempo e garantias económicas.
A Comissão vê este momento como decisivo.
“Este é o ano do 10.º aniversário do Acordo de Paris. A Europa não pode perder o rumo”, sublinhou Teresa Ribera.