França deixou de ter zonas livres de tráfico de droga, conclui um relatório do gabinete nacional de combate ao narcotráfico (OFAST), que alerta para o enraizamento do fenómeno em todo o país e para os riscos crescentes que representa para a segurança pública e a coesão social.
De acordo com o documento, em 2024 registaram-se 367 homicídios ou tentativas de homicídio relacionadas com o tráfico, em 173 cidades. Nos primeiros seis meses de 2025, foram apreendidas 37,5 toneladas de cocaína – um aumento de 45% face ao período homólogo do ano anterior.
O relatório descreve uma estrutura piramidal, com um pequeno núcleo de traficantes a controlar as importações, em articulação com cartéis sul-americanos, formando um “cartel francês da cocaína”. A rede estende-se até aos traficantes de rua e recorre a métodos cada vez mais sofisticados, como entregas através de plataformas ou apartamentos alugados.
O documento alerta ainda para o crescente controlo social exercido por algumas redes, que oferecem apoio logístico ou financeiro às populações em troca de tolerância e silêncio.
Em zonas como Bagnols-sur-Cèze, os residentes receberam ofertas de ajuda para compras ou reparações domésticas. Em Marselha, gangues como a DZ Mafia desafiam abertamente as autoridades e visam as instituições, incluindo prisões e guardas prisionais.
Face à escalada da violência, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou a criação de unidades de alta segurança destinadas a deter, até outubro, 200 dos traficantes mais perigosos, com o objetivo de travar o avanço da criminalidade ligada à droga.