O referendo à reforma da Justiça italiana, previsto para a primavera de 2026, está a dividir o país e a gerar forte incerteza entre os eleitores. A proposta do governo centra-se na separação das carreiras de juízes e procuradores, defendida pela maioria como forma de reforçar a imparcialidade, mas contestada pela oposição, que teme uma excessiva influência política sobre o sistema judicial.
As sondagens mais recentes colocam o “sim” em vantagem, mas com uma margem frágil: cerca de 30% dos eleitores continuam indecisos e mais de metade admite não compreender totalmente o conteúdo da reforma. Especialistas alertam que a campanha poderá transformar-se numa disputa de narrativas e slogans, em vez de um debate sobre as consequências reais da mudança constitucional.
A maioria governamental prepara uma campanha intensa para apresentar a reforma como um passo para modernizar a Justiça. Já a oposição — do Partido Democrático ao M5S — alerta para riscos de politização e promete mobilizar os eleitores contra aquilo que considera uma ameaça à autonomia dos magistrados.
Nas ruas, muitos italianos manifestam dúvidas ou rejeição, temendo alterações à Constituição e afirmando que a reforma não resolve os problemas que mais os preocupam, como a morosidade dos processos.
Com o resultado a depender do voto válido, independentemente da afluência, o referendo torna-se um teste crucial para o governo a pouco mais de um ano das legislativas de 2027.