O Hospital Papa Giovanni XXIII, em Bérgamo, protagonizou um feito inédito na Itália ao realizar um transplante simultâneo de rim e fígado provenientes de um dador vivo. Uma menina de sete anos recebeu os dois órgãos do próprio pai, encerrando anos de tratamentos intensivos e desgastantes.
A paciente apresentava uma condição genética rara que comprometia progressivamente órgãos vitais e obrigava sessões diárias de diálise de até cinco horas. Com o agravamento da função hepática, um transplante apenas de rim não seria suficiente. Diante da complexidade, as autoridades de saúde da Sérvia recorreram à equipe italiana especializada.
O procedimento demandou não só precisão cirúrgica avançada, mas também aprovação legal rigorosa. Na Itália, a remoção de dois órgãos de um mesmo dador vivo é fortemente regulamentada e exigiu a validação de comissões regionais e do Ministério Público.
Após várias horas de cirurgia, tanto a criança quanto o pai evoluíram bem e receberam alta hospitalar. A menina apresentou melhora significativa na energia e no apetite, podendo retomar gradualmente atividades próprias de sua idade, incluindo o retorno à escola.
O caso marca um avanço importante na medicina europeia, demonstrando o potencial da cooperação internacional para tratar situações pediátricas complexas e abrindo caminho para futuros procedimentos semelhantes.