O chefe de Estado da Letónia, Edgars Rinkevics, instou a Hungria e a Eslováquia a alinharem com o apelo de Donald Trump para que a União Europeia abandone de vez a importação de petróleo e gás russos. Em entrevista à Euronews, Rinkēvičs classificou a questão como um desafio de “vontade política” e destacou o exemplo do seu país.
“Em 2017, a Letónia dependia a 100% do gás e do petróleo russos. Hoje somos totalmente independentes e diversificámos os fornecedores. Se houver determinação política, é possível alcançar resultados”, sublinhou.
A União Europeia tem vindo a reduzir gradualmente a dependência energética de Moscovo desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
As importações de petróleo bruto caíram de 27% para cerca de 3%, enquanto o fornecimento de gás natural desceu de 45% para cerca de 18-19%. Ainda assim, Budapeste e Bratislava mantêm uma posição de resistência face à eliminação progressiva.
Durante o discurso na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump criticou os países europeus por continuarem a financiar a economia russa através da compra de energia. “Estão a financiar a guerra contra eles próprios”, afirmou.
Rinkēvičs acredita que uma aceleração deste processo poderia fragilizar significativamente Moscovo. “Se deixarmos de comprar petróleo e gás, a pressão sobre a economia russa pode alterar o rumo da guerra”, disse, acrescentando que a UE deve também avançar com sanções secundárias contra Estados terceiros que ajudem o Kremlin a contornar as medidas em vigor.
O presidente letão defendeu igualmente que a União deve decidir rapidamente como utilizar os ativos russos congelados — avaliados em 210 mil milhões de euros — para apoiar militarmente a Ucrânia e financiar a futura reconstrução do país.
Quanto a garantias de segurança para Kiev, Rinkevics sublinhou que ainda não há consensos, mas reconheceu o papel central dos Estados Unidos. “Não necessariamente com tropas no terreno, mas com apoio logístico, de informações e noutras áreas”, afirmou, frisando que não vê sinais de que a Rússia esteja disposta a entrar em negociações de paz sérias.