A saúde mental de crianças e adolescentes está a deteriorar-se na Europa, conclui um novo relatório da Organização Mundial da Saúde. A análise revela que um em cada sete jovens com menos de 20 anos apresenta uma perturbação mental — um aumento de cerca de 33% na última década e meia.
As raparigas são as mais afetadas: uma em cada quatro jovens entre os 15 e os 19 anos refere problemas de saúde mental. O relatório aponta fatores como isolamento social, impacto prolongado da pandemia, conflitos geopolíticos e instabilidade económica como possíveis causas para o agravamento do bem-estar juvenil.
As diferenças entre países são significativas. Jovens das Ilhas Faroé, Islândia e Dinamarca registam os níveis de bem-estar mais elevados, enquanto Ucrânia, Chipre e Polónia surgem entre os mais vulneráveis.
A OMS alerta também para falhas graves no acesso a cuidados especializados. Cerca de um quarto dos países europeus não dispõe de serviços comunitários de saúde mental para jovens e um quinto não tem políticas específicas nesta área.
O Dr. João Breda, responsável pela qualidade dos cuidados de saúde na organização, considera o relatório um sinal de alarme e sublinha que todos os jovens devem ter acesso a apoio adequado. A entidade insiste que os governos precisam de reforçar os serviços, adaptar programas às novas necessidades e responder ao crescente recurso de jovens a ferramentas digitais, incluindo chatbots, para apoio emocional.
Segundo a OMS, agir agora é essencial para criar sistemas capazes de proteger a saúde mental das próximas gerações.