ONU alerta que as alterações climáticas vão agravar os riscos para os transportes nas próximas décadas

A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) alertou esta terça-feira que os fenómenos climáticos e extremos irão aumentar significativamente os riscos para as infraestruturas de transporte na Europa, Ásia Central e América do Norte nas próximas décadas. O aviso surge numa altura em que vários países europeus enfrentam uma intensa vaga de calor, que já está a provocar atrasos ferroviários, deformação de carris e danos em estradas e outras infraestruturas.

Segundo o relatório Avaliação dos Impactos das Alterações Climáticas e da Adaptação ao Transporte Terrestre: Rumo a Sistemas de Transporte Resilientes ao Clima, entre 2051 e 2080 as redes de transporte poderão enfrentar mais 10 a 50 dias por ano com temperaturas superiores a 25 graus Celsius, tendo regiões onde esse número poderá atingir os 200 dias anuais. A ONU alerta que estas condições aumentam o risco de manipulação do pavimento, deformação de carris, dilatação de pontes, incêndios florestais e perturbações em aeroportos, portos e vias navegáveis.

O documento refere ainda que as alterações climáticas irão agravar fenómenos como inundações, tempestades marítimas e subida do nível do mar, colocando em risco entre 71% e 89% dos portos mundiais até ao final do século. Na Europa, cerca de cinco milhões de pessoas poderão enfrentar inundações nas costas quase todos os anos até 2100, enquanto chuvas intensas aumentam a probabilidade de penetração de terras e danos em estradas, ferrovias e hidrovias.

Perante este cenário, a UNECE defende que a adaptação das infraestruturas de transporte deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade urgente. O relatório recomenda o reforço das políticas de resiliência climática, investimentos em infraestruturas mais resistentes e uma avaliação contínua dos riscos. Entre os exemplos de boas práticas destacam-se os projetos desenvolvidos em França, Alemanha e Portugal, incluindo o Sistema de Mobilidade do Mondego, onde foram implementados pavimentos resistentes a temperaturas elevadas e sistemas de drenagem preparados para cheias extremas.

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