O Parlamento Europeu celebrou os 40 anos da adesão de Espanha e Portugal à União Europeia, no dia 21 de janeiro, numa sessão solene em plenário que contou com a presença do Rei de Espanha, Felipe VI, e do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.
Na abertura da sessão, a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, deu as boas-vindas aos dois chefes de Estado, sublinhando que, há quatro décadas, Espanha e Portugal passaram a integrar a “família europeia”, abrindo um capítulo de liberdade e oportunidades que transformou a vida dos seus cidadãos. Metsola destacou ainda que ambos os países contribuíram de forma duradoura para moldar o projecto europeu, lembrando que a União Europeia “é um projecto em permanente construção”.
No seu discurso, o Rei de Espanha salientou a profunda transformação vivida pelo país ao longo dos 40 anos de pertença à União Europeia, afirmando que “nunca como nestes tempos difíceis a ideia de Europa foi tão necessária”. Felipe VI defendeu que o reforço da defesa europeia, da autonomia estratégica da União e do pilar europeu no seio da Aliança Atlântica não pode ser adiado, sublinhando igualmente a importância de preservar uma ligação transatlântica assente no respeito e na lealdade.
O monarca espanhol iniciou a sua intervenção agradecendo, em nome do povo espanhol, as manifestações de solidariedade recebidas após o recente desastre ferroviário em Adamuz. Ao recordar o percurso de Espanha nas últimas quatro décadas, descreveu a União Europeia como “um projecto de convivência que nos tornou mais livres, mais prósperos e mais fortes”, alertando que qualquer fenómeno que afecte uma parte da União acaba por afectar todos os seus membros. “A nossa força é a nossa unidade”, afirmou.
Por seu lado, o Presidente da República Portuguesa destacou os benefícios da integração europeia para Portugal e sublinhou a importância das alianças e parcerias internacionais na resolução dos grandes desafios globais. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que nenhum país, isoladamente, é hoje capaz de resolver problemas universais ou de impor divisões geopolíticas como no passado.
O Chefe de Estado português recordou que a adesão de Portugal às então Comunidades Europeias, há 40 anos, “mudou a história” do país e da própria Europa. Destacou ainda que a União Europeia representa um dos maiores mercados do mundo, garante condições de vida comparativamente elevadas e constitui um destino de referência para pessoas de todos os continentes.
Na conclusão do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa foi peremptório: “Os portugueses nunca, nunca desistirão da Europa, porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível do próprio país.”