O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu que a Ucrânia seja colocada temporariamente sob administração das Nações Unidas até que um novo governo “competente” seja eleito.
A proposta surge no contexto de eventuais conversações para um cessar-fogo e um acordo de paz duradouro, no quarto ano da invasão russa.
A Casa Branca rejeitou de imediato a sugestão. Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA declarou que a governação da Ucrânia é regida pela sua Constituição, que proíbe eleições nacionais durante a vigência da lei marcial — atualmente em vigor devido à guerra — e enquanto partes do território continuam ocupadas por forças russas.
Putin voltou a contestar a legitimidade do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e afirmou que qualquer acordo assinado pelo atual governo poderia ser invalidado por futuros líderes.
Defendeu, por isso, a realização de eleições e a formação de um governo que, segundo ele, tenha a confiança do povo para dar início a novas negociações de paz.
O chefe de Estado russo mencionou ainda a possibilidade de uma “governação externa”, sem apresentar detalhes.
A proposta gerou reações imediatas em Kiev.
Dmytro Lytvyn, conselheiro presidencial ucraniano, ironizou nas redes sociais, sugerindo que Putin “precisa de comprimidos para ativar o cérebro” se não sabe com quem negociar a paz.
As declarações de Putin coincidem com o final de uma cimeira internacional convocada pelo Presidente francês Emmanuel Macron, na qual foi discutida a eventual criação de uma força multinacional para apoio à Ucrânia. Embora alguns países tenham mostrado interesse, a proposta não recolheu consenso entre todos os membros da União Europeia e da NATO.
O Kremlin, por seu lado, rejeitou qualquer presença de forças da NATO numa futura missão de manutenção da paz na Ucrânia e apresentou novas exigências, incluindo o levantamento parcial das sanções internacionais — contrariando, assim, os recentes esforços dos EUA para estabilizar o Mar Negro com um cessar-fogo.
Kiev acusa Moscovo de usar estas propostas como manobras para prolongar o conflito e evitar um verdadeiro avanço nas negociações de paz.