As três Autoridades Europeias de Supervisão — EBA, EIOPA e ESMA — divulgaram o Relatório Conjunto do Comité de Outono de 2025, no qual apontam riscos acrescidos no sistema financeiro da União Europeia, destacando em particular a intensificação das ameaças cibernéticas.
O documento sublinha que as tensões no comércio global e na segurança internacional agravaram as incertezas geopolíticas, aumentando a exposição do setor financeiro a ataques digitais.
“Embora os riscos geopolíticos permaneçam elevados, estes podem aumentar ainda mais o risco digital, por exemplo através de atividades cibernéticas maliciosas patrocinadas por Estados e de ‘hacktivismo’”, refere o relatório.
Os supervisores defendem a necessidade de estratégias de gestão de risco mais robustas e de quadros atualizados de tecnologias de informação e comunicação, para proteger instituições e infraestruturas críticas.
De acordo com a EBA, o número de bancos que sofreu pelo menos um ataque com consequências graves em sistemas TIC cresceu, refletindo o aumento no volume e na sofisticação das ofensivas.
O setor financeiro, pelo elevado volume de dados e transações que movimenta, continua a ser um alvo prioritário, e os incidentes podem gerar efeitos de contágio para outros setores.
Um exercício-teste realizado sobre o mercado de ‘repo’ da União Europeia mostrou que uma disrupção cibernética em poucas instituições-chave seria suficiente para provocar uma escassez de liquidez temporária, mas severa, com impactos sistémicos.
Também a Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) tem registado um aumento na diversidade de ataques, reforçando o alerta para a necessidade de maior vigilância.