O número de travessias irregulares nas fronteiras externas da União Europeia diminuiu cerca de 40% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados preliminares da Frontex. No total, foram registadas pouco mais de 21.400 detecções entre janeiro e março.
De acordo com a agência europeia, as condições meteorológicas adversas nas principais rotas migratórias estiveram entre os fatores que contribuíram para esta redução acentuada. Ainda assim, a Frontex alerta que a descida nas chegadas não significa uma melhoria da situação humanitária.
O Mediterrâneo Oriental manteve-se como a rota mais ativa, concentrando cerca de um terço das entradas irregulares, com aproximadamente 6.500 chegadas, apesar de uma queda de 34%. Já o Mediterrâneo Central registou cerca de 6.200 travessias, menos 33% face ao ano anterior. Em contrapartida, o Mediterrâneo Ocidental foi a única rota a apresentar aumento, com 4.400 detecções, mais 66%.
A rota da África Ocidental destacou-se pela maior diminuição, com uma queda de 83% nas detecções, enquanto as tentativas de travessia pelo Canal da Mancha caíram 41%, totalizando cerca de 6.600 casos, incluindo travessias bem-sucedidas e tentativas impedidas.
Apesar da redução global, o custo humano continua elevado. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, quase 1.000 pessoas morreram no Mediterrâneo desde o início do ano, muitas em condições meteorológicas adversas e em embarcações precárias exploradas por redes de tráfico humano.
A Frontex mantém mais de 3.700 agentes destacados nas fronteiras externas da UE e continua a acompanhar possíveis impactos de crises internacionais, incluindo a situação no Médio Oriente, que poderá influenciar futuros fluxos migratórios.