Uma investigação do Corporate Europe Observatory concluiu que o Acordo Industrial Limpo da União Europeia se tornou excessivamente influenciado por interesses empresariais, desviando-se da meta de descarbonização para favorecer desregulação e subsídios à indústria pesada.
Segundo o estudo, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 foram registadas mais de 750 reuniões entre lobistas e responsáveis europeus, com 90% dos encontros a envolverem representantes empresariais. O gabinete do comissário para o Mercado Interno, Stéphane Séjourné, liderou a lista, seguido do comissário para a Ação Climática, Wopke Hoekstra.
A organização sustenta que já são visíveis efeitos práticos, como o alívio de metas de CO₂ no setor automóvel e alterações no mercado europeu de carbono. Entre os grupos mais ativos destacam-se a associação siderúrgica EUROFER e a energética francesa Électricité de France.
O relatório aponta ainda para uma forte influência francesa na orientação industrial do bloco, num momento em que se preparam debates decisivos sobre o próximo orçamento plurianual da UE e a revisão das regras de contratação pública.