Foram libertadas na passada quarta-feira, ao fim de cerca de 24 horas de cativeiro, três religiosas da Congregação de São José de Cluny que haviam sido raptadas num orfanato num bairro de Port-au-Prince, a capital do Haiti. Este rapto ocorre num momento de particular violência no país, após gangues terem invadido no sábado, 2 de março, duas prisões em Port-au-Prince, libertando milhares de reclusos e levando as autoridades a decretar o estado de emergência e o recolher obrigatório.
Três irmãs, Christiane Gervais, Arielle St Germain, e Yolvard Delmond, foram raptadas por homens “fortemente armados” que invadiram na passada terça-feira, 5 de Março, pelas 14 horas [mais 5 horas em Portugal], o orfanato La Madeleine, em Morne à Cabrits, onde residem várias religiosas da congregação de São José de Cluny. As irmãs seriam libertadas ontem, aproximadamente 24 horas depois. Este incidente ocorre depois do ataque, no sábado, dia 2 de março, a duas prisões, a Penitenciária Nacional e o estabelecimento prisional civil de Croix-des-Bouquets, que permitiu a libertação de mais de 4 mil reclusos e levou as autoridades a decretaram o estado de emergência e o recolher obrigatório. O rapto das três irmãs de São José de Cluny mostra também a situação de enorme insegurança em que se encontram os membros da Igreja no Haiti. Recorde-se que no dia 23 de Fevereiro, ou seja, há cerca de duas semanas, seis religiosos da Congregação dos Irmãos do Sagrado Coração e um padre foram também raptados em dois incidentes distintos em Port-au-Prince. Ao contrário do sacerdote, os seis religiosos continuam em cativeiro. Antes, a 19 de janeiro, houve também o rapto de seis irmãs da Congregação das Religiosas de Santa Ana, que levou, inclusivamente, o Papa Francisco a apelar à sua libertação, que ocorreria uma semana mais tarde. Francisco pediu, na ocasião, a todos os haitianos para acabarem com a violência, “que tanto sofrimento causa àquela querida população”.
O HAITI NO RELATÓRIO DA FUNDAÇÃO AIS
O Haiti é um dos países assinados a vermelho no mais recente Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, publicado em Junho do ano passado e que aborda o período correspondente aos anos de 2021 e 2022. Nesse documento pode ler-se que o país “entrou numa espiral de caos político, económico e social”, e que “as estruturas estatais como o Parlamento, o poder judicial e a administração pública entraram em colapso”. Tudo isto se agravou com o assassinado, em Julho de 2021, do presidente Jovenal Moïse. “Desde então” – assinala o Relatório da AIS – “o país tem sido dirigido pelo presidente Ariel Henry, sem data ainda marcada para novas eleições”. “Num país já assolado pela pobreza e por catástrofes naturais, o vazio de poder e a falta de liderança efetiva mergulharam o pequeno Estado das Caraíbas no caos, com fome, doenças, violência de gangues, crimes relacionados com a droga, esquadrões da morte e raptos“, acrescenta o documento.
Paulo Aido – Fundação AIS