Investigadores britânicos demonstraram que a inteligência artificial (IA) pode prever, já na primeira consulta, quais os pacientes com ceratocone que necessitam de tratamento imediato e quais podem ser apenas acompanhados. A descoberta foi apresentada no 43.º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa (ESCRS).
O ceratocone — uma deformação progressiva da córnea que afeta até 1 em cada 350 pessoas — é a principal causa de transplante de córnea no mundo ocidental. Atualmente, os médicos só conseguem identificar quem precisa de tratamento através de anos de monitorização.
No estudo, a IA analisou mais de 36 mil exames oculares (OCT) de quase 6.700 pacientes, conseguindo distinguir com precisão quem precisava do procedimento de cross-linking (que estabiliza a córnea com luz ultravioleta e vitamina B2, prevenindo a cegueira) e quem podia evitar intervenções.
Com base apenas nos dados da primeira consulta, o algoritmo separou dois terços dos pacientes em grupo de baixo risco e um terço em alto risco. Quando foram incluídas informações de uma segunda visita, a precisão subiu para 90%.
Segundo os investigadores, esta ferramenta pode evitar cirurgias desnecessárias, libertar recursos hospitalares e salvar a visão de milhares de jovens adultos. O próximo passo será validar o algoritmo em diferentes equipamentos e expandi-lo para prever outras doenças oculares, como infeções e patologias hereditárias.