O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta quinta-feira a Israel e ao Hamas para que cumpram integralmente o acordo de cessar-fogo e de libertação de reféns, descrevendo-o como um “avanço desesperadamente necessário” que deve marcar “o início do fim desta guerra devastadora”.
Falando na sede da ONU, em Nova Iorque, Guterres destacou que o acordo — baseado numa proposta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — deve ser totalmente implementado. “Esperámos demasiado tempo por este momento. Agora, devemos fazer com que realmente conte”, afirmou. “Todos os reféns devem ser libertados de forma digna. É necessário garantir um cessar-fogo permanente. O derramamento de sangue tem de terminar de uma vez por todas.”
Segundo fontes internacionais, o governo israelita deverá aprovar formalmente o acordo ainda esta quinta-feira, prevendo-se que o cessar-fogo entre em vigor em Gaza nas 24 horas seguintes. O entendimento inclui também uma janela de 72 horas para que o Hamas liberte os reféns restantes, vivos e falecidos.
Guterres sublinhou que as Nações Unidas e os seus parceiros humanitários estão prontos para agir de imediato, com equipas e fornecimentos já preparados para intensificar a assistência alimentar, médica e de abrigo dentro de Gaza. “Para transformar este cessar-fogo em progresso real, precisamos de mais do que o silêncio das armas”, disse, reforçando a necessidade de acesso humanitário total, seguro e contínuo, bem como de financiamento adequado para a reconstrução.
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou o anúncio como “extremamente significativo” e defendeu a criação de um processo de justiça transicional que assegure responsabilização por violações graves dos direitos humanos, alertando que a paz “será frágil sem justiça”.
Da parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus reiterou que “o melhor remédio é a paz”, enquanto a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM), Cindy McCain, afirmou que as equipas estão “no terreno e prontas para agir, sem tempo a perder”. Já o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, destacou que há alimentos suficientes para alimentar toda a população de Gaza durante três meses e que mais de 660 mil crianças aguardam ansiosamente o regresso às aulas.