Esta terça-feira, Israel efetuou uma série de ataques aéreos devastadores em Gaza, naquela que foi considerada a mais mortífera ofensiva militar contra a população civil na Faixa desde o início do cessar-fogo, no dia 19 de Janeiro.
As autoridades Israelitas justificaram os bombardeamentos indiscriminados, que mataram mais de mil civis desarmados, incluindo cerca de 130 crianças, alegando que o Hamas estava a preparar um ataque-surpresa semelhante ao do dia 7 de Outubro de 2023. Tel Aviv acrescentou que estes ataques serviram também para colocar pressão no Hamas para que o grupo Islâmico liberte os 59 reféns Israelitas ainda retidos em Gaza, embora o número estimado de cativos com vida seja menos de metade.
O Hamas respondeu com um comunicado oficial negando as acusações do executivo de Benjamin Netanyahu, realçando ainda que Israel pretende escalar a violência para evitar a conclusão da fase dois do cessar-fogo, que inclui o estabelecimento permanente de paz em Gaza e mais tarde o fim do bloqueio Israelita na Faixa. Apesar da intensidade dos ataques Israelitas, o Hamas escolheu respeitar os termos do cessar-fogo e, para já, não retaliar.
Segundo os relatos feitos por jornalistas palestinianos no terreno, os bombardeamentos aéreos focaram-se nas províncias do norte, centro e sul da Faixa, onde se encontravam milhares de civis abrigados em tendas e escolas. Muitas das vítimas foram mortas enquanto dormiam e, segundo testemunhos locais, famílias inteiras foram aniquiladas pelas forças militares israelitas.
Equipas médicas presentes em Gaza têm tentado salvar o máximo de vidas entre os feridos graves, mas apontaram para a carência de material médico básico para efetuar anestesias e cirurgias, escassez que tem sido causada pela proibição por parte do governo israelita da entrada de camiões com ajuda humanitária em Gaza nas últimas duas semanas, numa ação de castigo coletivo, considerado crime de guerra.
Os ataques devastadores de Israel contra a população civil de Gaza foram prontamente condenados pela Comunidade Internacional. O Egito disse que os bombardeamentos constituem uma clara violação do cessar-fogo e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico David Lamy confessou ter ficado horrorizado pela escala de violência causada pelos ataques Israelitas. A ministra dos Negócios Estrangeiros Alemã, Annalena Baerbock, afirmou que os ataques de Israel em Gaza estão a destruir as esperanças de ver o fim ao sofrimento de todos os lados do conflito e Kaja Kallas, a responsável pela política externa da União Europeia, considerou esta nova onda de violência causada por Israel absolutamente inaceitável.
Entretanto, – e ainda nesta semana – milhares de manifestantes israelitas concentraram-se em Jerusalém, acusando Netanyahu de adiar a troca de reféns e de colocar em risco de vida os Israelitas ainda retidos em Gaza, através de bombardeamentos indiscriminados.
Apesar das críticas, Netanyahu anunciou que as operações militares de terça-feira são apenas o início, e que qualquer negociação diplomática futura será feita “debaixo de fogo”, sugerindo que a onda de violência poderá intensificar-se nos próximos dias.
O Primeiro-Ministro Israelita, que desde Novembro de 2024 tem um mandato de captura emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade, confirmou ainda que as forças Israelitas iniciaram operações militares terrestres esta quarta-feira para retomar o controlo de um dos corredores dentro de Gaza, que divide o norte da Faixa do sul com o intuito de criar uma zona-tampão nessa área.
O número de Palestinianos mortos por Israel na guerra em Gaza (que a Amnistia Internacional descreveu como sendo um genocídio) até agora ronda os 49.500 (incluindo mais de 17 mil crianças). Contudo, o número real possa chegar às centenas de milhares de mortos, dado que há ainda inúmeros corpos por encontrar entre os escombros – entre os quais cerca de 11 mil crianças desaparecidas.
João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global