Uma comissão internacional independente de inquérito das Nações Unidas concluiu que as autoridades e forças de segurança israelitas cometeram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e atos que sustentam a acusação de genocídio contra a população palestiniana em Gaza, ao visarem deliberadamente crianças e destruírem as condições essenciais para a sua sobrevivência. O relatório, divulgado na passada terça-feira, analisa violações ocorridas entre 7 de outubro de 2023 e 31 de março de 2026 nos Territórios Palestinianos Ocupados.
De acordo com a investigação, mais de 20 mil crianças palestinianas morreram e mais de 44 mil ficaram feridas entre outubro de 2023 e outubro de 2025. A comissão documentou casos de menores mortos em bombardeamentos com explosivos de grande potência, bem como por disparos de drones e atiradores furtivos. Os investigadores afirmam que as provas recolhidas revelam um padrão de conduta destinado a destruir a continuidade biológica e o futuro da população palestiniana em Gaza.
O relatório destaca igualmente a devastação das infraestruturas essenciais à infância. Segundo os dados apresentados, 97% das escolas de Gaza foram destruídas ou danificadas, enquanto 95% das universidades sofreram impactos significativos, incluindo 22 instituições totalmente destruídas. A comissão considera que esta destruição compromete não apenas o direito à educação, mas também as bases sociais, culturais e intelectuais da sociedade palestiniana.
Os especialistas denunciaram ainda a imposição de condições de vida incompatíveis com a sobrevivência das crianças, apontando a escassez de alimentos, cuidados médicos e medicamentos. Até outubro de 2025, pelo menos 151 crianças teriam morrido devido à desnutrição. O relatório documenta também mais de mil casos de amputações em menores nos primeiros meses do conflito, além de alegações de tortura, violência sexual e outros tratamentos desumanos.
A comissão apelou à comunidade internacional para que assegure a responsabilização pelos crimes identificados, defendendo investigações judiciais, o cumprimento dos mandados emitidos pelo Tribunal Penal Internacional e a suspensão de transferências de armamento suscetíveis de ser utilizado em violações do direito internacional. Os investigadores sublinharam que as dezenas de milhares de crianças afetadas pelo conflito não devem ser reduzidas a meras estatísticas, mas reconhecidas como vidas individuais cujos futuros foram profundamente comprometidos pela guerra.