Embaixadora norte-americana sugeriu que Israel bombardeasse centenas de milhares de pessoas em Beirute

Segundo o correspondente político do Canal 14 de Israel, Tamir Morag, a enviada especial dos EUA, Morgan Ortagus, que se encontrava em território Israelita pouco antes do funeral do Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, realizado no dia 23 de Fevereiro deste ano, sugeriu às autoridades Israelitas que efetuassem bombardeamentos durante o cortejo fúnebre no Estádio Desportivo Camille Chamoun, em Beirute, sob o pretexto de assassinar membros do partido xiita.

Esta revelação chocante emitida pelo canal Israelita foi feita aquando da visita mais recente de Ortagus ao Líbano, que teve como objetivo colocar pressão adicional no governo Libanês para finalizar o processo de desarmamento total do Hezbollah – um ponto contencioso para as autoridades Israelitas que insistem em continuar agressões militares em solo Libanês, apesar do cessar-fogo em vigor.

O funeral conjunto de Nasrallah e o seu sucessor, Sayyed Hashem Safieddine (assassinado em Beirute por Israel no início de Outubro de 2024) reuniu mais de um milhão de participantes, incluindo figuras políticas internacionais e mais de 2 mil jornalistas de todo o mundo; se Israel tivesse levado a cabo os planos de Ortagus, estima-se que os bombardeamentos teriam causado centenas de milhares de mortos. Israel, apesar de ter marcado presença na fase final do funeral, durante a procissão com os dois caixões a serem transportados na pista ao longo do estádio desportivo, com caças militares a sobrevoar o local, decidiu não seguir a sugestão de Ortagus.

Esta proposta suscitou críticas generalizadas entre a população Libanesa, dada a natureza irresponsável e criminosa dos planos da diplomata norte-americana.

Ortagus, que juntamente com Tom Barrack (o outro enviado especial dos EUA) tem feito parte da mediação entre Israel e o Líbano desde a tomada de posse de Donald Trump, tem sido fonte de episódios controversos durante este ano; na sua primeira reunião oficial com o Presidente do Líbano, exibiu um anel com a estrela de David e foi vista a posar para a imprensa com um míssil nas mãos (uma imagem pouco abonatória para uma diplomata). Meses mais tarde, a enviada especial publicou um comentário a insultar o antigo líder do Partido Socialista Progressista Libanês, Walid Jumblatt, insinuando que o político druzo estaria a consumir cocaína. Em Setembro deste ano, Ortagus foi também pesadamente criticada por votar contra a resolução de um cessar-fogo em Gaza, na condição de Ministra Conselheira da Missão dos EUA para a ONU, inviabilizando assim o fim do genocídio perpetrado por Israel contra a população Palestiniana dentro da Faixa.

Contudo, e apesar destas controvérsias, o governo norte-americano pretende manter Ortagus na posição de enviada especial para o Líbano, pelo menos até ao final deste ano.

João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute

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