O Comité de Monitorização do Cessar-Fogo, também conhecido como “Mecanismo”, entre o Líbano e Israel teve mais uma reunião em Naqoura, no sul Libanês, na passada sexta-feira, para se concentrar nas prioridades económicas entre os dois países.
Nesta reunião, que incluiu representantes militares e civis libaneses, israelitas e membros da FINUL, Força Interina das Nações Unidas no Líbano, discutiram-se também questões de cooperação militar e de reconstrução infra estrutural, segundo um comunicado da embaixada dos EUA no Líbano. O Comité, liderado pela enviada especial norte-americana Morgan Ortagus, visa essencialmente dar continuidade aos esforços coordenados para apoiar a estabilidade e uma cessação duradoura das hostilidades, que continuam a ser perpetradas pelo exército Israelita em regime diário.
De acordo com os participantes, um dos pontos essenciais para garantir o progresso deste projeto passa pelo desarmamento total do Hezbollah e o monopólio das armas do Exército Libanês – uma iniciativa que tem estado a cargo por parte do governo do líbano desde agosto deste ano. Apesar do sucesso em desarmar o grupo xiita nas zonas a sul do Rio Litani, Tel Aviv insiste que o Hezbollah continua o seu processo de recuperação bélica e que não há garantias de paz, avançando ainda que é possível o retorno a uma guerra aberta entre Israel e as forças lideradas por Naim Qassem – que em discursos recentes tem reforçado a ideia de que o Hezbollah nunca entregará as suas armas.
A reunião de sexta-feira incluiu ainda o tópico da reconstrução das zonas fronteiriças afetadas pela guerra que teve início no dia 8 de outubro de 2023, realçando a importância de criar condições básicas para o retorno dos respetivos habitantes às suas residências em segurança. Várias aldeias libanesas continuam completamente destruídas devido aos bombardeamentos israelitas e há pelo menos 90 mil cidadãos internamente deslocados e sem garantias de poder voltar às suas casas. Por outro lado, estima-se que haja 60 mil israelitas que ainda não retornaram às respetivas localidades, por receio de haver ataques futuros por parte do Hezbollah. Ainda esta quarta-feira, cerca de mil habitantes de Quriate-Chemoná, uma cidade no norte de Israel, que conta com apenas 50% da sua população a viver nas suas casas, foram às ruas protestar contra a negligência do governo Israelita e exigir apoio financeiro e logístico para a reabilitação desta localidade fronteiriça.
Apesar dos esforços implementados pelo Comité de Monitorização do Cessar-fogo e do progresso diplomático em trazer as autoridades Libanesas e Israelitas para a mesa de negociações, o governo de Benjamin Netanyahu continua a ameaçar o lançamento de uma guerra devastadora no Líbano contra o Hezbollah caso o grupo xiita não seja completamente desarmado até ao final deste ano.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano