A reabertura parcial do ponto de passagem de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, trouxe uma luz de esperança para milhares de pacientes gravemente doentes ou feridos que aguardam evacuação médica. O ponto de passagem, encerrado por mais de um ano, foi reaberto na segunda-feira, 2 de fevereiro, no âmbito de um plano de paz americano apresentado em setembro de 2025.
Na primeira operação desde a reabertura, cinco pacientes e sete acompanhantes foram evacuados para o Egito, segundo confirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Este grupo representa uma fase de teste, mas existem atualmente mais de 18.500 pessoas à espera de acesso a cuidados médicos especializados que não estão disponíveis em Gaza. O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, destacou que, apesar deste progresso, “precisamos de muitos mais”.
O processo de evacuação envolve várias etapas: a seleção de pacientes pelas autoridades de saúde locais, aprovação das listas pelas entidades de segurança e, por fim, a organização do transporte e acompanhamento das famílias pela OMS. Lindmeier alerta que “tempo é essencial” e espera que, nos próximos dias, o fluxo de evacuações aumente significativamente. Entre os pacientes mais vulneráveis encontram-se pessoas com ferimentos graves e doenças crónicas, como câncer ou diabetes.
A tragédia permanece para aqueles que morreram à espera de evacuação, uma situação agravada pelo facto de os cuidados necessários estarem disponíveis apenas a alguns quilómetros da fronteira, mas inacessíveis por razões políticas. A OMS apela à mobilização de mais países para acolher os pacientes e garantir assistência urgente aos mais vulneráveis de Gaza.