Líbano: Ataque de Israel mata líder religioso no sul do país

Na tarde de segunda-feira, as forças militares Israelitas lançaram diversos ataques aéreos no sul Libanês, que incluíram o assassínio do líder religioso Ali Noureddine, na cidade de Tiro. O ataque foi efetuado através de um drone militar Israelita quando Noureddine circulava dentro do seu veículo.

Ali Noureddine não resistiu aos ferimentos graves e acabou por falecer momentos após, a curta distância da mesquita de Hosh, em Tiro. Segundo o porta-voz do exército Israelita em árabe, Avichay Adraee, confirmou a morte de Noureddine, justificando o seu assassínio por se tratar de  “um terrorista do Hezbollah”. O Ministério da Saúde Libanês confirmou que duas pessoas ficaram feridas na sequência do ataque.

O Xeique era uma figura importante na comunidade xiita no sul do Líbano e também uma presença regular no canal televisivo Al Manar. O ataque Israelita foi condenado pelo Hezbollah, que o descreveu como um “crime de guerra” que se junta à “longa lista de crimes brutais do inimigo Israelita contra jornalistas, civis e a humanidade no seu todo”. O comunicado emitido pelo grupo xiita alertou que este ataque sinaliza o grave perigo das contínuas agressões por parte de Israel, que se expandem para abranger o sector dos media em todas as suas formas e títulos, como parte de uma política sistemática de assassínios destinada a silenciar a palavra da verdade e a liberdade de expressão.

O Hezbollah apelou ainda a todos os jornalistas, ao Ministério da Informação, aos órgãos de comunicação social, aos sindicatos e às instituições, bem como às figuras políticas e intelectuais, a tomarem medidas urgentes e a levantarem a sua voz nos fóruns locais, Árabes e internacionais, especialmente nos domínios jurídico, dos direitos humanos e humanitário, para “conter esta brutalidade e responsabilizar os seus perpetradores”. A morte de Noureddine eleva para 20 o número de jornalistas mortos por Israel no Líbano, quem começou com o assassínio do repórter da Reuters, Issam Abdallah, no dia 13 de Outubro de 2023.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Líbano (duramente criticado pelo Secretário-geral do Hezbollah na semana passada) anunciou publicamente que apresentou uma queixa formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao respetivo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, através da Missão Permanente do Líbano junto da ONU em Nova Iorque, relativamente às contínuas violações da soberania Libanesas por parte de Israel desde o início do cessar-fogo, assinado em Novembro de 2024.

De acordo com o comunicado, a queixa inclui três tabelas detalhadas que documentam as violações Israelitas diárias especificamente registadas em Outubro, Novembro e Dezembro de 2025. O Ministério afirmou que o número de violações atingiu as 542 em outubro, as 691 em novembro e as 803 em dezembro, totalizando 2.036 violações ao longo de três meses, fazendo parte de um total de mais de 10 mil violações diplomáticas desde 2024.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros enfatizou ainda que estas agressões constituem violações claras da soberania do Líbano, incumprimento das obrigações de Israel ao abrigo da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e desrespeito pelo acordo de cessar-fogo.

João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano

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