Na noite de terça-feira, a força aérea israelita lançou um ataque devastador no campo de refugiados Palestinianos de Ain al-Hilweh, (o mais densamente populado em território Libanês), na cidade de Saida (o terceiro maior centro urbano do país). A ofensiva consistiu no disparo de três mísseis por parte de drones Israelitas, causando pelo menos 13 mortos e inúmeros feridos, naquele que foi considerado um dos ataques mais mortíferos por parte de Israel no Líbano desde o início do cessar-fogo, acordado há quase um ano.
Segundo o porta-voz do exército Israelita, Avichay Adraee, esta operação visava eliminar membros do Hamas que alegadamente usavam aquela zona do campo como centro para treino militar com o intuito de preparar ataques futuros contra o Estado de Israel. Adraee avançou ainda que Israel fez os possíveis para minimizar vítimas civis antes de efetuar o ataque aéreo. Contudo, oficiais do Hamas (organização que tem presença forte na zona de Saida) negaram as alegações Israelitas e garantiram que o local bombardeado era um centro desportivo frequentado por jovens atletas, apelidando este massacre de “um ato bárbaro contra o Povo Palestiniano e a soberania Libanesa”.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) também prestou declarações num comunicado onde condenou o ataque, anunciando ainda uma greve geral e um período de luto nacional no campo, bem como o encerramento de todas as instituições, centros e agências dentro do campo de refugiados. Outras organizações Palestinianas, como a Jamaa Islamiyya (Grupo Islâmico), apelou ao governo Libanês para tomar medidas necessárias para encorajar a comunidade internacional a pôr pressão sobre Israel para que os termos do cessar-fogo sejam respeitados. O grupo denunciou ainda o silêncio dos países garantes do cessar-fogo, nomeadamente os EUA e a França, rematando que as infracções Israelitas tornam estas duas nações cúmplices dos crimes por parte de Israel.
Desde o fim oficial da guerra com o Hezbollah (assinalado a 27 de Novembro de 2024), Israel já violou o cessar-fogo mais de 4.500 vezes, com ataques e bombardeamentos quase diários e ocupação territorial dentro do sul do Líbano em seis posições ao longo da fronteira.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano