Os Estados Unidos instruíram funcionários não-essenciais a evacuar a embaixada norte-americana na capital Libanesa esta segunda-feira, reduzindo a sua presença diplomática numa fase de tensões crescentes entre os executivos em Washington e Teerão.
Esta ordem foi publicada nas redes sociais do Departamento de Estado, que alertou os cidadãos norte-americanos para não viajarem para o Líbano, citando “crime, terrorismo, agitação civil, raptos, minas terrestres não detonadas e o risco de conflito armado”. Embora estes avisos não sejam recentes, esta ordem de evacuação realçou que “grupos terroristas continuam a planear possíveis ataques no Líbano”, afirmou o Departamento de Estado, referindo que os incidentes podem ocorrer com pouco ou nenhum aviso prévio e poderão ter como alvo “pontos turísticos, centros de transporte, mercados, centros comerciais e instalações governamentais”.
Segundo oficiais norte-americanos, “a embaixada mantém-se operacional com a equipa essencial nos seus postos” e que as entidades responsáveis, após avaliar o ambiente de segurança e, com base na última análise, decidiram que será prudente reduzir a presença às equipas essenciais.
Esta medida significativa, surge no meio da preocupação de que o Líbano possa voltar a ser um foco de conflito numa região mais ampla, após semanas de alertas por parte dos EUA sobre possíveis ataques ao Irão. Esta antecipação tem sido realçada pelo Presidente Donald Trump, que tem levantado repetidamente a possibilidade de uma ação militar – embora não seja claro se a ofensiva será limitada ou mais abrangente e, consequentemente, mais devastadora.
Espera-se que o Irão e os EUA realizem a terceira ronda de negociações nucleares esta quinta-feira, em Genebra, tendo como foco principal decisões sobre o programa nuclear Iraniano. Trump tem, desde a semana passada, avisado que se a diplomacia falhar, “coisas muito más irão acontecer”. Por seu lado, Teerão alertou que, caso os EUA levem a cabo uma ofensiva, o seu exército atacará as bases militares norte-americanas na região e poderá ordenar o encerramento do Estreito de Hormuz (a única passagem marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto por onde circula entre 20% a 25% do total do comércio global de petróleo). O encerramento do Estreito constituíria um evento catastrófico para a economia global, uma vez que se trata do ponto de estrangulamento mais crítico do mundo para o petróleo.
Caso haja um conflito militar aberto entre Washington e Teerão, o Líbano poderá ser palco de hostilidades envolvendo as forças armadas do Hezbollah contra o exército Israelita, dado o alinhamento estratégico e logístico do grupo xiita com o Irão.
O Hezbollah assinalou a continuidade da frente de resistência, uma posição reforçada num discurso recente por parte do seu Secretário-geral, Naim Qassem, após mais um massacre contra civis no Vale do Bekaa na semana passada. Segundo Tel Aviv, Israel tem intensificado os seus ataques aéreos no Líbano, inclusive a norte do Rio Litani, visando “instalações de lançamento e centros de comando e controlo” para prevenir possíveis lançamentos de mísseis contra o Estado Israelita.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano