Segundo um comunicado oficial por parte do comandante-chefe do exército Libanês Rodolphe Haykal na passada terça-feira, as suas forças militares estão no processo de concluir o desarmamento do Hezbollah.
Haykal reuniu-se na cidade de Yarzeh, perto de Beirute, com membros oficiais do Estado-Maior e comandantes das unidades operacionais libanesas para fazer o ponto da situação relativamente ao monopólio das armas no Líbano e a remoção da presença armada do grupo xiita, de acordo com os termos do cessar-fogo, assinado com Israel em novembro de 2024.
O elemento-chave deste plano passa por garantir que apenas o exército libanês terá controlo exclusivo da posse de armamento dentro do Líbano. Haykal insistiu durante a reunião que é essencial “reforçar as capacidades das tropas para que se tornem as garantes da segurança do povo libanês”. O líder militar, nomeado comandante das forças libanesas a 13 de Março de 2025, anunciou que “o Exército está em processo de conclusão da primeira fase do seu plano e está a prosseguir a avaliação e o planeamento com precisão e diligência para as fases subsequentes, tendo em conta todos os elementos e condições”, apesar das críticas recorrentes por parte de oficiais Israelitas, que acusam Haykal de não fazer o suficiente para implementar o desarmamento do Hezbollah.
Haykal elogiou ainda os seus soldados, afirmando que “os nossos militares estão a demonstrar extrema lealdade e dedicação, convictos da sua missão. Testemunhámos isto durante inúmeras operações recentes conduzidas por unidades militares, expostas a grandes perigos, sem que isso afetasse a sua moral e determinação”. O comandante-chefe enalteceu ainda a solidariedade do povo Libanês no sul do país e a cooperação ativa entre o exército, o Comité de Monitorização do Cessar-Fogo (também conhecido como “Mecanismo”) e a FINUL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano).
O exército libanês tem estado sob pressão adicional desde a queda do ex-Presidente Sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, devido ao incidentes violentos ao longo da fronteira com a Síria entre facções armadas do país vizinho e clãs libaneses associados ao Hezbollah. Um dos grandes desafios de Haykal e respetivas tropas prende-se com o impasse no apoios financeiro estrangeiro ao exército – no início de outubro deste ano, os EUA aprovaram um financiamento de 230 milhões de dólares para as forças de segurança no Líbano, 190 dos quais destinados ao exército. Contudo, este apoio só poder ser garantido após o desarmamento do Hezbollah, grupo armado considerado inimigo de Washington.
Entretanto, os enviados especiais dos EUA, França e Arábia Saudita, anunciaram que será realizada uma conferência internacional em que fevereiro de 2026 para apoiar as forças de segurança Libanesas para reforçar o desarmamento de todos os grupos armados, não só o Hezbollah, dentro do Líbano.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano