Líbano: Explosões de pagers provocadas por Israel causa milhares de feridos e pelo menos 11 mortos

Esta terça-feira à tarde, centenas de dispositivos pager pertencentes a membros do Hezbollah localizados em diversos pontos do Líbano explodiram, causando mais de 4 mil feridos, 400 em estado crítico, e 11 mortos. O Embaixador iraniano no Líbano foi também afectado pelo ataque e ficou com ferimentos ligeiros. Explosões de pagers foram também registadas na Síria.

Centenas de ambulâncias mobilizaram-se pelo país inteiro para transportar e assistir os feridos, num ambiente de caos generalizado. Pedidos de doações de sangue continuam a circular pelas redes sociais e diversos médicos de todas as regiões dirigiram-se às zonas mais afectadas, nomeadamente Beirute, sul do Líbano e Vale de Bekaa. Devido à posição física dos pagers, normalmente colocados junto da cintura dos utilizadores, muitos dos ferimentos graves estão focados na zona da cintura, órgãos internos, mas também mãos e dedos.

Este ataque terrorista foi atribuído a Israel, que remotamente sincronizou as explosões para ocorrerem simultaneamente. Segundo fontes de informação, os pagers afectados, dispositivos adoptados pelo grupo xiita como ferramenta de comunicação para substituir o uso de telemóveis com o intuito de evitar infiltrações cibernéticos com fins de espionagem israelita, faziam parte de um lote que tinha sido recentemente distribuído por membros do Hezbollah e que foram sabotados pela Mossad, que colocou uma quantidade de PETN altamente explosiva nas baterias dos dispositivos. As explosões foram causadas pela transmissão remota de sinais aos pagers sabotados consequentemente detonados pelo aumento da temperatura das respectivas baterias.

Israel admitiu a autoria do ataque, intitulado ‘Operação Abaixo da Cintura’, autorizada por Benjamin Netanyahu e o seu executivo há dois dias atrás, como medida preventiva de dissuadir o Hezbollah de conduzir um ataque de grande escala contra o Estado Israelita.

Para já, o Hezbollah avisou que irá retaliar contra Israel, mas sem especificar os alvos ou a intensidade da retaliação. O grupo xiita indicou que esta operação israelita representou a maior falha de segurança desde o início da guerra e que alguns dos seus membros foram mortos pelas explosões dos pagers.

Entretanto, o governo libanês anunciou a suspensão de actividades escolares e o Sindicato Geral dos Trabalhadores convocou uma greve geral nos sectores público e privado em solidariedade para com as vítimas e para condenar os crimes de guerra por parte de Israel.

Vivem-se tempos de grande tensão entre a população libanesa e este ataque recente deixou o país inteiro em choque. Teme-se que o dia de hoje represente uma nova fase na escalada do conflito e que indique o prólogo de uma invasão efectiva de Israel no Líbano.

João Sousa a partir de Beirute

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