Líbano: Israel assassina pelo menos 10 civis e fere 24 em ataques no Vale do Bekaa

Na noite de sexta-feira, as forças israelitas efetuaram seis ataques na região Este Libanesa do Vale do Bekaa, cujos bombardeamentos mataram 10 pessoas e feriram mais de vinte.

Segundo a Defesa Civil Libanesa, os danos causados nas zonas residenciais foram consideráveis, e, na manhã seguinte, ainda havia equipas de socorro nos locais bombardeados, em operações de busca para recuperar potenciais sobreviventes.

O exército Israelita, por sua vez, afirmou que o alvo desta agressão era um “quartel-general do Hezbollah”. Israel avançou ainda que os bombardeamentos teriam sido lançados a partir de navios de guerra. Entre os mortos, foi identificado um comandante do Hezbollah, Hussein Mohammad Yaghi, filho de Mohammad Hassan Yaghi, um dos fundadores do partido xiita e assistente executivo do ex-Secretário Geral, Sayyed Hassan Nasrallah.

Horas antes dos ataques no Vale do Bekaa, Israel lançou um ataque com um drone no campo de refugiados Palestinianos (chamado Ain al-Hilweh) na cidade de Sidon, matando duas pessoas. Segundo oficiais Israelitas, o ataque visava membros do Hamas, embora esta informação não tenha sido oficialmente confirmada pelas autoridades Libanesas.

No sábado, o Presidente Libanês Joseph Aoun fez um comunicado à imprensa onde condenou os ataques israelitas de sexta-feira, acusando Tel Aviv de demonstrar a intenção de sabotar os esforços diplomáticos durante o cessar-fogo em vigor.

Aoun acrescentou ainda que “estes ataques representam mais uma violação da soberania Libanesa e um flagrante incumprimento dos compromissos internacionais, reflectindo um desrespeito pela vontade da comunidade internacional, em particular pelas resoluções das Nações Unidas que apelam ao respeito pela Resolução 1701 e à sua plena implementação”.

Entretanto, o deputado Rami Abu Hamdan, membro do bloco parlamentar do Hezbollah, exigiu a suspensão das reuniões do comité de monitorização do cessar-fogo – composto pelos Estados Unidos, França, Líbano, Israel e Nações Unidas – “até que o inimigo cesse os seus ataques”.

Ainda no sábado, vice-presidente do conselho político do Hezbollah, Mahmoud Qamati, descreveu os ataques como “um novo massacre e uma nova agressão” e afirmou que o grupo xiita não terá mais opções senão defender-se (sugerindo que em breve poderá haver respostas militares a futuras agressões Israelitas no Líbano). Estas declarações foram feitas numa fase extremamente delicada durante a qual altos membros do Hezbollah têm intensificado o número de reuniões para planear opções de como reagir a uma possível guerra entre os EUA e o Irão.

João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano

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