O juiz Nawaf Salam foi nomeado Primeiro-Ministro do Líbano, após ter garantido votos suficientes nas consultas parlamentares desta segunda-feira.
Salam obteve o apoio de mais de 84 legisladores do Parlamento, nomeadamente por parte de facções cristãs, sunitas, incluindo alguns membros aliados do Hezbollah, e druzas, derrotando assim o ex-Primeiro-Ministro interino, Najib Mikati, na corrida para o cargo.
Esta vitória foi mais tarde confirmada pela convocação de Salam, efectuada pelo novo Presidente da República, Joseph Aoun, que demonstrou total confiança nas capacidades e competências de Salam. A nomeação deste juiz de 71 anos desagradou o Hezbollah, que desejava a continuação de Mikati como Primeiro-Ministro, e acentuou a colecção de derrotas estratégicas e políticas do grupo xiita desde o início da guerra com Israel.
Esta nomeação desagradou também o próprio governo Israelita, já que Salam, através da seu cargo de juiz presidente do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), tem sido um crítico acérrimo contra os crimes de guerra por parte de Israel em Gaza.
Salam, que conta com vários anos de experiência como jurista, diplomata e académico internacionalmente respeitado, é agora visto como uma nova esperança para os libaneses e uma oportunidade para gradualmente substituir uma classe política conhecida pela sua corrupção endémica, marcada por bloqueios a processos de investigação como, por exemplo, a causa e os responsáveis pela explosão do porto de Beirute em 2020.
A vitória de Salam foi celebrada em diversos pontos do país, incluindo na icónica Praça dos Mártires em Beirute, perto do Parlamento Libanês, por milhares de cidadãos, que em menos de uma semana assistiram às nomeações do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, numa reviravolta política chocante e altamente promissora para o futuro do Líbano.
João Sousa, e-Global