Riad Salameh foi detido, em Beirute, após uma sessão de interrogamento levada a cabo pelo Procurador-Geral libanês que durou três horas. Salameh, suspeito de desvios de fundos do BDL (Banque du Liban) na ordem dos 300 milhões de dólares, tinha deixado o cargo de Governador do Banco Central Libanês em Julho de 2023, após 30 anos de serviço na mesma posição.
Apesar de Salameh ter sido considerado altamente competente durante grande parte do seu mandato (apelidado de ‘o Mágico da Finanças’ pelo seu sucesso em manter a libra libanesa relativamente estável em mais de duas décadas), foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro através de um esquema Ponzi.
Este esquema consistiu em atrair milhões de clientes a depositar os seus fundos em bancos libaneses a troco de taxas de juros bastante aliciantes, acabando por colapsar em finais de 2019, quando o Banco do Líbano teve os seus depósito reduzidos em 31 mil milhões de dólares, lançando o país para uma crise socioeconómica sem precedentes, que incluiu a redução do valor da sua moeda nacional em 98%.
Desde então, Salameh rapidamente caiu em desgraça, sendo investigado por autoridades de diversos países estrangeiros como a Alemanha e o Luxemburgo, e teve o seu nome incluído na lista da Interpol, após um mandato de detenção emitido pelas autoridades francesas. Salameh tem ainda sanções impostas pelos EUA, Canadá e Reino Unido por suspeitas de lavagem de dinheiro, que efectivamente causaram o congelamento dos seus bens e também a interdição legal de ter negócios com empresas e particulares nos Estados Unidos.
Apesar de pressões internacionais para realizar a detenção efectiva de Salameh durante mais de 4 anos, o ex-Governador conseguiu manter-se em liberdade, e até contestar as várias acusações a que foi sujeito, incluindo os processos apresentados por grupos de advogados libaneses desde 2020.
A detenção de Salameh esta terça-feira representa um marco histórico em tempos recentes e poderá trazer algum sentido de justiça para milhões de libaneses que viram os suas poupanças retidas pelo Estado desde 2019.
João Sousa, e-Global