Líbano: Ziad Rahbani, filho da cantora libanesa Fairuz, morre aos 69 anos

O Líbano entrou em estado de luto nacional com a notícia do falecimento do músico e compositor Libanês, Ziad Rahbani.

Considerado um génio da música Libanesa, Rahbani, que era também um dramaturgo e comentador político, deixou um legado sem paralelo na cultura do país dos Cedros. A sua morte foi anunciada no sábado passado, quando sofreu um ataque cardíaco, após uma longa batalha contra a cirrose hepática.

Esta terça-feira, milhares de pessoas e figuras notáveis reuniram-se em Beirute para prestar uma última homenagem a este herói cultural, numa cerimónia fúnebre que terminou na Igreja Ortodoxa Grega da Dormição, em Mhaidseh. Diversas personalidades políticas e mediáticas fizeram parte da vasta multidão, incluindo a Primeira-Dama do Líbano, Nehmat Aoun, a esposa do Presidente do Parlamento do país, Randa Berri, Elias Bou Saab, o Vice-Presidente do Parlamento e Ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salameh. Estiveram também presentes membros da família Rahbani, incluindo Hoda Haddad e artistas como a cantora Julia Boutros, o poeta Talal Haidar e o músico Marcel Khalife.

O grande destaque do dia, porém, foi a aparição pública rara da cantora Fairuz, mãe de Rahbani, considerada como a Voz do Líbano. Faizuz, que conta com 90 anos de vida, participou no funeral (acompanhada da sua filha Rima) envolta num véu negro e com óculos escuros que esconderam as lágrimas durante a cerimónia inteira – que foi marcada por canções e hinos da própria Fairuz que ecoaram pela igreja.

Rahbani, que iniciou a sua carreira artística no final dos anos 60, foi um marco cultural que pautou as vidas da juventude Libanesa com as suas sátiras musicais e críticas à vida política no Líbano. Abertamente Comunista, Rahbani manifestou-se consistentemente contra as agressões Israelitas e mostrou-se um defensor incondicional da Resistência Libanesa e movimento pró-Palestina durante a sua vida adulta.

A morte de Rahbani marca o fim de uma era cultural no Líbano e expõe um vácuo na relação entre as artes e a política que será complicado compensar num futuro próximo.

João Sousa, a partir de Beirute para a e-Global

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