Dezenas de apoiantes pró-Palestina, incluindo crianças palestinianas do campo de refugiados de Shatila, reuniram-se, na tarde de ontem, em Beirute, em solidariedade com os civis mortos, na noite de domingo, no acampamento em Rafah, na sequência de um bombardeamento israelita que causou um incêndio devastador, resultando em pelo menos 45 vítimas mortais e mais de 60 feridos.
Vários vídeos percorreram as redes sociais com imagens do rescaldo do ataque, que entretanto foi condenado pela comunidade internacional – inclusivamente pelos Estados Unidos da América, e considerado como um massacre de civis inocentes. As imagens mais chocantes mostraram crianças queimadas e desmembradas.
Apesar do número modesto de participantes, esta vigília simbolizou o ultraje geral demonstrado em vários pontos do globo, com milhares de manifestantes a protestar contra a violência na faixa de Gaza, e em particular em Rafah, de onde entretanto fugiram cerca de 800 mil pessoas, após a incursão militar israelita iniciada no dia 6 de maio.
Ainda em Beirute, um grupo de ativistas, incluindo membros do Partido Comunista libanês, organizaram um protesto junto da embaixada do Egito para exigir apoio logístico e humanitário aos habitantes retidos em Gaza. Esta manifestação foi pautada por confrontos violentos entre os manifestantes e as forças de segurança interna, que detiveram alguns protestantes.
Este massacre em Rafah, descrito pelo Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu como um incidente trágico, coloca sérios pontos de interrogação no processo de cessar-fogo, numa fase em que o Hamas decidiu retirar as mais recentes propostas de negociações com Tel Aviv, mediadas pelo Qatar.
João Sousa