As forças de manutenção da paz das Nações Unidas suspenderam temporariamente patrulhas e outras actividades ao longo de sectores da chamada Linha Azul, no sul do Líbano, após o Exército israelita ter anunciado a libertação de uma substância química descrita como não tóxica nas proximidades da fronteira. A informação foi confirmada esta segunda-feira pelo porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
O incidente ocorreu na manhã de domingo, a norte da Linha Azul, levando à suspensão de mais de uma dezena de actividades da UNIFIL por um período superior a nove horas. Segundo Dujarric, as Forças de Defesa de Israel recomendaram que os capacetes azuis se mantivessem afastados da zona afectada, tendo os militares da ONU apoiado o Exército libanês na recolha de amostras para análises toxicológicas, cujos resultados ainda não tinham sido divulgados.
A Linha Azul, com cerca de 120 quilómetros de extensão, marca a linha de retirada de Israel do sul do Líbano e constitui um elemento central do mandato da UNIFIL. A ONU reiterou a sua preocupação com movimentos militares e voos sobre esta linha, sublinhando que tais acções violam a Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que pôs fim às hostilidades de 2006 entre Israel e o Hezbollah.
A UNIFIL alertou ainda para os possíveis impactos da substância libertada sobre a população civil, as terras agrícolas e o regresso seguro das comunidades às zonas fronteiriças. A missão recordou que este não é o primeiro episódio do género e apelou a Israel para cessar estas práticas e cooperar com os capacetes azuis, de forma a salvaguardar a estabilidade e a segurança na região.