A Deloitte Austrália concordou em devolver parte do pagamento recebido do Governo australiano depois de um relatório oficial apresentar múltiplos erros, aparentemente gerados por um sistema de Inteligência Artificial.
O documento, elaborado para o Departamento de Emprego e Relações Laborais e publicado em julho, foi revisto após o investigador Chris Rudge, da Universidade de Sydney, alertar que continha “referências inventadas”. Após uma análise interna, a Deloitte confirmou que várias notas de rodapé e citações estavam incorretas e aceitou reembolsar a última parcela do contrato.
A senadora Barbara Pocock, do partido Australian Greens, defendeu que a empresa deveria restituir a totalidade dos 440.000 dólares australianos (cerca de 249.000 euros), criticando a falta de rigor.
Na versão revista do relatório, a Deloitte reconheceu que utilizou a plataforma Azure OpenAI na redação do texto.
Foram removidas citações falsas atribuídas a um juiz federal e referências inexistentes a especialistas. Segundo Rudge, foram identificados pelo menos 20 erros significativos, incluindo a distorção de decisões judiciais.
Em comunicado à Associated Press, a Deloitte afirmou que o incidente foi “resolvido diretamente com o cliente”, mas o caso levantou novas preocupações sobre o uso de ferramentas de IA na elaboração de documentos oficiais e sobre a necessidade de maior supervisão humana nos processos de revisão.