Austrália testa centro de dados alimentado por neurónios humanos

A start-up australiana Cortical Labs desenvolveu o CL1, um sistema que permite executar código em neurónios humanos cultivados em laboratório, integrando células vivas com chips de silício. O dispositivo envia sinais elétricos para os neurónios e interpreta em tempo real as respostas, funcionando como um “wetware”, ou sistema biológico interativo.

Segundo Brett J. Kagan, diretor científico da empresa, é possível gerar neurónios a partir de pequenas amostras de sangue ou pele, acelerando processos que anteriormente demoravam meses ou anos. Atualmente, cerca de 120 unidades do CL1 alimentam um pequeno centro de dados em Melbourne, com planos de expansão para Singapura.

A tecnologia combina eficiência energética e adaptabilidade, permitindo que os neurónios humanos processem informação de forma semelhante à aprendizagem natural, em contraste com a IA tradicional, que depende de grandes volumes de dados. Especialistas alertam, contudo, que redes simples de neurónios oferecem vantagens limitadas face aos sistemas de silício, e que estruturas mais complexas podem levantar questões éticas sobre consciência.

A Cortical Labs defende que a abordagem reduz a necessidade de testes em animais e oferece maior controlo sobre sistemas biológicos, abrindo caminho a novas aplicações em neurociência, robótica e inteligência artificial.

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