A inteligência artificial está a ganhar terreno nos sistemas de saúde europeus, mas a sua implementação avança sem salvaguardas adequadas, alerta um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A análise, que avaliou 50 países da Europa e Ásia Central, mostra que:
- 26 países definiram prioridades para a IA na saúde
- Apenas 14 atribuíram financiamento às iniciativas
- Só 4 – Andorra, Finlândia, Eslováquia e Suécia – têm uma estratégia nacional específica para IA na saúde
Metade dos países já utiliza chatbots para interação com doentes, e 32 recorrem a ferramentas de diagnóstico por IA, sobretudo em imagiologia. Espanha testa modelos para deteção precoce, a Finlândia usa IA na formação médica e a Estónia aposta na análise de dados.
Apesar do entusiasmo, a OMS alerta que a IA pode aumentar desigualdades, falhar diagnósticos e gerar decisões enviesadas — especialmente porque muitos modelos dependem de dados incompletos ou pouco representativos.
Hans Kluge, diretor regional da OMS, lembra que a revolução digital só será positiva “se os doentes estiverem no centro de cada decisão”.
O relatório pede regras claras sobre responsabilidade em caso de erros, formação adequada dos profissionais, reforço da proteção de dados e maior transparência sobre o uso da IA.
Sem normas sólidas, muitos clínicos estão já mais hesitantes em adotar estas tecnologias, sublinha David Novillo Ortiz, especialista da OMS, que insiste: as ferramentas de IA devem ser testadas na prática real antes de chegarem aos doentes.
One Comment
[…] E-Global :: A inteligência artificial está a ganhar terreno nos sistemas de saúde europeus, mas a sua implementação avança sem salvaguardas adequadas, alerta um novo… […]