ONU lança plataforma para identificar falhas de proteção em rotas migratórias da África Ocidental

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a ICVA lançaram uma nova plataforma digital destinada a mapear os serviços de proteção e assistência disponíveis para refugiados e migrantes ao longo da Rota Atlântica da África Ocidental, considerada uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo. A iniciativa pretende melhorar a coordenação humanitária e identificar lacunas críticas de apoio às pessoas em deslocação.

A ferramenta oferece uma visão inter-regional dos serviços existentes em diferentes pontos da rota, desde regiões do Sahel até às zonas costeiras de partida para as Ilhas Canárias. O objetivo é apoiar o planeamento de programas, facilitar encaminhamentos e melhorar o acesso de refugiados, requerentes de asilo e migrantes a informações, proteção e assistência adequada ao longo do percurso.

Segundo as organizações responsáveis, a plataforma permitirá identificar locais onde existem serviços essenciais — como abrigo, assistência médica, apoio jurídico e proteção infantil — e regiões onde persistem falhas graves de cobertura. As entidades alertam que muitos serviços continuam concentrados em grandes centros urbanos, deixando áreas fronteiriças e pequenas localidades praticamente sem apoio humanitário estruturado.

A rota atlântica da África Ocidental tem registado um aumento significativo de movimentos migratórios irregulares nos últimos anos. Pessoas em deslocação enfrentam riscos elevados de violência, exploração, tráfico humano, detenções arbitrárias e travessias marítimas extremamente perigosas. As organizações humanitárias sublinham que respostas coordenadas e baseadas em dados são fundamentais para reduzir mortes e vulnerabilidades ao longo destas rotas.

A Organização Internacional para as Migrações e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados defendem ainda um reforço urgente do financiamento internacional para apoiar organizações locais e expandir serviços de proteção em zonas críticas. A nova plataforma será atualizada duas vezes por ano e deverá ser gradualmente alargada a outras rotas migratórias internacionais.

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