Países ricos travam imigração apesar da escassez de mão de obra

Um relatório da OCDE revela que a migração laboral para países de elevada rendibilidade caiu globalmente, mesmo com sociedades envelhecidas e falta de trabalhadores qualificados. Entre 2023 e 2024, os fluxos permanentes diminuíram mais de 20%, impulsionados sobretudo por políticas restritivas e por um ambiente social anti-imigração, e não pela baixa procura de trabalho.

Países como o Reino Unido, a Nova Zelândia, a Alemanha e os EUA adoptaram regras mais rigorosas de vistos e de elegibilidade, limitando a entrada de trabalhadores estrangeiros e dos seus familiares. Na Alemanha, por exemplo, a imigração permanente caiu 12% em 2024, criando um défice estimado de 3 milhões de trabalhadores, enquanto dois terços dos empregos da UE entre 2019 e 2023 foram ocupados por estrangeiros.

Apesar disso, a migração laboral temporária ou sazonal manteve-se estável, preenchendo lacunas nos sectores agrícola, de cuidados e da construção. Especialistas alertam, porém, que a integração dos migrantes continua lenta devido à burocracia, à demora no reconhecimento de diplomas e à falta de apoio social.

A OCDE recomenda criar vias claras para a transição de trabalhadores temporários para permanentes e programas de integração eficazes, incluindo cursos de línguas e reconhecimento de qualificações, de forma a reduzir a escassez de mão-de-obra e aproveitar plenamente as competências dos migrantes.

Segundo especialistas, a retórica anti-imigração de líderes de direita influencia percepções globais, tornando países como os EUA e o Reino Unido menos atrativos para trabalhadores qualificados.

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