RCA: “Por favor, continuem a rezar e a apoiar-nos”, diz carmelita Aurélio Gazzera em mensagem à AIS

O missionário carmelita Aurélio Gazzera foi nomeado Bispo Coadjutor de Bangassou no final de Fevereiro. Agora, quando faltam apenas dois meses para a sua ordenação episcopal, vai-se preparando para a sua nova missão. Em mensagem áudio enviada para a Fundação AIS, fala de um país onde a atuação de grupos rebeldes provoca “agitação e caos”, mas onde a Igreja desempenha um papel essencial, levando “esperança, fé e amor a todas as pessoas”.

“A situação na República Centro-Africana (RCA) ainda é muito instável e há muitas zonas em que os rebeldes continuam a fazer estragos e a ditar a lei, provocando a agitação e o caos”, diz o missionário Aurélio Gazzera na mais recente mensagem enviada para a Fundação AIS.

“Existe também uma grande instabilidade económica e política e o sistema educativo é muito frágil”, acrescenta o carmelita que o Papa Francisco nomeou, a 23 de Fevereiro, como Bispo Coadjutor de Bangassou, o que significa que irá suceder a D. Juan José Aguirre, um prelado espanhol de Córdoba. Gazzera, que vai fazer 60 anos, diz, no entanto, que apesar de todas as dificuldades a República Centro-Africana “é um país abençoado” com uma Igreja “que procura levar esperança, fé e amor a todas as pessoas”. A mensagem, áudio, prossegue com o missionário carmelita a explicar que neste país africano, com uma história recente muito traumática, a Igreja tem sido “abençoada com muitas vocações, muitos seminaristas, com Missas muito participadas”. E fala mesmo em fiéis entusiasmados. “As dificuldades não diminuem o entusiasmo das pessoas para ouvir Jesus e aprender com Ele. Mas há ainda muito trabalho a fazer”, diz.

UMA DIOCESE MAIOR DO QUE PORTUGAL

A ordenação episcopal está agendada para o dia 9 de Junho. Aurélio Gazzera vai para uma diocese enorme, geograficamente falando, mas também com inúmeros problemas e dificuldades. Bangassou tem 135 mil quilómetros quadrados. Portugal, por exemplo, não chega aos 93 mil… A diocese, tal como o país, tem sido palco, especialmente desde 2013, quando o então Presidente Bozizé foi afastado do poder, de confrontos entre grupos armados, os Seleka e os Anti-Balaka. A somar a isso, há inúmeras dificuldades para o trabalho de todos os dias da Igreja. A começar nas estradas inexistentes ou em péssimo estado, o que transforma qualquer viagem num autêntico pesadelo. Ainda recentemente, no seu blogue na Internet, “ao vivo de Bozoum”, em que Gazzera vai contando, sempre que pode, o que de mais relevante lhe vai acontecendo, o missionário relatava que a missão carmelita em Bangui está distante cerca de 750 km de Bangassou, “mas leva-se dias e dias para se chegar lá na estação seca”. Para os camiões, essenciais para o transporte de mercadorias, a viagem ainda é mais longa e dolorosa, pois “demora um ou dois meses” a percorrer essas centenas de quilómetros.

“REZO POR TODOS OS BENFEITORES DA AIS”

É neste ambiente que Aurélio Gazzera se prepara para enfrentar o novo desafio da sua missão, agora como Bispo coadjutor de D. José Aguirre, que classifica como “um grande bispo, muito corajoso, competente e empreendedor”. Na mensagem enviada para a AIS, o missionário carmelita agradece também toda a ajuda que a fundação pontifícia tem dado e pede orações pelo sucesso do trabalho da Igreja nesta região de África. “A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre apoia e acompanha a Igreja na República Centro-Africana há muitos anos. As necessidades são imensas e a presença desta Obra pontifícia é preciosa porque nos encoraja a continuar o nosso trabalho através da oração, mas também através das obras: o trabalho com os catequistas, os seminaristas, as escolas e tudo o que a Igreja faz neste país com a imaginação do amor”, diz Aurélio Gazzera. “Peço-vos a todos que rezem muito pela República Centro-Africana, pela Igreja, pelos jovens que são muito numerosos, mais de metade da população tem menos de 18 anos. Por favor, continuem a rezar e a apoiar-nos. Rezo por todos vós, por cada um dos que me ouvem, pelos benfeitores desta grande Obra que é a Fundação AIS. Obrigado. Que Deus vos abençoe!”, conclui na mensagem. O missionário carmelita, nomeado agora Bispo coadjutor de Bangassou, esteve já em Portugal. Foi em 2015, tendo participado na apresentação, em Lisboa, na Sociedade de Geografia, do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo da Fundação AIS.

Paulo Aido – Fundação AIS

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