O governo britânico anunciou a compra de 12 aviões de combate F-35A com capacidade para transportar armas nucleares, no maior reforço da dissuasão nuclear do país desde o final da Guerra Fria. A decisão, revelada durante a cimeira da NATO nos Países Baixos, permitirá à Royal Air Force voltar a ter um papel na componente nuclear do Reino Unido, depois de mais de três décadas de exclusão.
Até agora, a capacidade nuclear britânica estava exclusivamente concentrada numa frota de quatro submarinos balísticos. Com a aquisição dos F-35A — caças de fabrico norte-americano — o Reino Unido passará a integrar o sistema de aeronaves de dupla capacidade (DCA) da NATO, atualmente limitado a países como a Bélgica e a Alemanha.
O primeiro-ministro Keir Starmer justificou a medida como uma resposta aos “riscos nucleares crescentes” e um sinal de firmeza perante os compromissos da NATO.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, saudou o anúncio como uma “contribuição robusta” do Reino Unido à Aliança.
Os novos aviões serão estacionados na base aérea de RAF Marham, em Norfolk, embora ainda não tenha sido anunciado um calendário para a sua entrega.
A decisão insere-se num contexto de aumento dos orçamentos de defesa entre os aliados europeus, impulsionado pelas ameaças da Rússia e pela incerteza quanto ao futuro do envolvimento dos Estados Unidos na segurança do continente.
Em discussão está também a proposta de elevar os gastos militares para 5% do PIB até 2035, uma meta que alguns países, como Espanha e Bélgica, consideram difícil de cumprir.