Ashura 2025 no Líbano – Ensaio Fotográfico

O primeiro mês do calendário Islâmico, chamado Muharram, teve início no dia 26 de Junho deste ano e terá o seu desfecho no decorrer desta semana – em princípio no dia 25, dependendo da fase da Lua.

Entretanto, centenas de milhares de xiitas Libaneses comemoraram esta parte do ano com rezas, oferendas de comida e bebidas não-alcoólicas e esmolas a pessoas necessitadas em diversas comunidades espalhadas pelo Líbano. Refeições diárias foram preparadas em tendas (chamadas ‘madif’) localizadas nas ruas em todos os pontos do país com predominância xiita (incluindo o sul de Beirute, Baalbeck e sul do Líbano, onde também se realizaram rezas a invocar a memória do neto do Profeta Maomé, Imam Hussein, morto no décimo dia do Muharram).

A e-Global seguiu de perto a Ashura em vários pontos do Líbano, e assistiu à encenação da batalha de Carbala na vila de Majdal Selm, localizada perto da fronteira com Israel (e consideravelmente fustigar pelo conflito militar), onde vários milhares de civis se reuniram para seguir de perto o espetáculo, entre lágrimas e emoções fortes.

Este dia é conhecido como Ashura, e para o xiitas em particular, é a memória da batalha de Carbala (Iraque moderno) ocorrida no ano de 680 e travada entre o numeroso exército do califa omíada Yazid I e Imam Hussein e as suas forças. A batalha resultou na morte do Imam Hussein e de muitos dos seus familiares e, posteriormente, em horríveis massacres contra mulheres e crianças que entretanto ficaram indefesas.

Durante a Ashura, os xiitas acordam cedo e deslocam-se a pontos específicos nas respectivas comunidades onde se concentram para ouvir os discursos de líderes religiosos locais, rezar e efetuar ‘latmya’ (o batimento rítmico das mãos contra o peito). Em casos raros, como na cidade de Nabatieh, alguns xiitas levam este ritual ao extremo e praticam o ‘Tatbir’, que consiste no acto de autoflagelação de bater com lâminas e outros objetos cortantes na cabeça até ocorrer sangramento, como forma de expressar tristeza e dor para com a memória do destino trágico de Imam Hussein. Contudo, esta prática é normalmente condenada pela maior parte dos xiitas – inclusive o antigo líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, assassinado por Israel em Setembro de 2024.

Este ano, a Ashura teve um tom mais pesado do que anteriormente, devido à quantidade de mortos na guerra entre Israel e o Hezbollah, cujas agressões continuam ainda por parte das forças Israelitas, apesar do cessar-fogo em vigor.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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