O Parlamento Europeu manifestou forte descontentamento com a proposta do novo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) apresentada esta quarta-feira pela Comissão Europeia, deixando no ar a ameaça de não avançar para negociações com o executivo comunitário.
A apresentação da proposta ficou a cargo do comissário europeu responsável pelo Orçamento, Piotr Serafin, mas a receção por parte dos eurodeputados foi tudo menos positiva. Os membros da Comissão dos Orçamentos criticaram a escassez de detalhes fornecidos e a falta de documentos essenciais para analisar o plano para os próximos sete anos.
“Estamos a começar com o pé esquerdo”, afirmou Siegfried Mureșan, relator do QFP pelo grupo do PPE. O presidente da Comissão dos Orçamentos, Johan Van Overtveldt, foi mais direto: “A presidente Ursula von der Leyen está a dar uma conferência de imprensa com mais informações do que as que foram prestadas aqui no Parlamento”.
Vários eurodeputados acusaram a Comissão de não fornecer números concretos nem material explicativo necessário para uma análise rigorosa do orçamento. A relatora socialista portuguesa Carla Tavares também demonstrou frustração com a abordagem da Comissão.
Confrontado com as críticas, Piotr Serafin reconheceu o mal-estar e explicou que deixou mais cedo a reunião interna da Comissão para apresentar a proposta ao Parlamento, numa tentativa de respeitar a sua importância institucional. Ainda assim, o gesto foi considerado insuficiente para colmatar as lacunas identificadas pelos eurodeputados.